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Trienal de Arquitectura de Lisboa
12 Set – 15 Dez 2013

Close, Closer é uma série de exposições e programas públicos que desafia e questiona o papel do arquiteto na sociedade contemporânea. Estamos a lançar uma discussão em torno desta paisagem em rápida transformação e o teu input é crucial. Como podemos aproximar-nos? Agora é contigo.


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Exposição Futuro Perfeito

Futuro Perfeito é uma cidade ficcional do futuro. Um think tank de cientistas, tecnologistas, designers, artistas e autores de ficção científica desenvolveram coletivamente este lugar imaginário, as paisagens que o rodeiam e as histórias que contem. A exposição forma o cenário para um conjunto de ficções, infraestruturas emergentes e experiências projetuais que podem ser habitadas sob a forma de “distritos” de grandes dimensões de uma cidade do futuro.

Emergindo das sombras das torres em ruínas de um Dubai pós-afluência petrolífera, produto da geo-engenharia de climatologistas e influenciada pelo boom económico iminente do subcontinente Indiano, esta é uma ilha urbana terraformada. Uma cidade que cresce em vez de ser construída, uma criatura que vive, respira e computa, uma ecologia em ebulição que se tornou na nova megaforma metropolitana. Trata-se de um urbanismo especulativo, um presente exagerado onde podemos explorar as maravilhas e as possibilidades da investigação biológica e tecnológica emergente e perspetivamos mundos possíveis que queremos construir para nós mesmos. Porque o futuro não é algo que passa por nós como água, é um lugar que devemos configurar e definir ativamente. Através de ficções, partilhamos ideias e escrevemos a crónica das nossas esperanças e medos, das nossas mais profundas ansiedades ou fantasias mais ousadas. Alguns de nós vão deixar-se levar pelo que a cidade poderia ser, outros vão mostrar-se reticentes e olhá-la com cautela. Nunca andámos estas ruas, por aquilo que está por vir, num Futuro Perfeito.

Distritos

  • Esquemas de Trabalho

    O Think Tank Futuro Perfeito

    Emergindo das sombras das torres em ruínas de um Dubai pós-afluência petrolífera, produto da geo-engenharia de climatologistas e influenciada pelo boom económico iminente do subcontinente Indiano, esta é uma ilha urbana terraformada. Uma cidade que cresce em vez de ser construída, uma criatura que vive, respira e computa, uma ecologia em ebulição que se tornou na nova megaforma metropolitana. Robôs vagueiam por esta geologia habitada, uma acumulação densa de quartos-fenda e vales públicos, que lenta e interminavelmente se imprime e reimprime à medida das necessidades. Através dos diferentes estratos alastraram as gavinhas do complexo sistema circulatório que alimenta as superfícies húmidas de uma ecologia endémica possante, onde natureza e tecnologia se misturam e a biologia se torna numa nova economia. Supercomputadores silvam e zumbem; trata-se de uma cidade virtual, uma cidade paralela que, sobreposta diretamente sobre a física, converte tudo em interface, em programa. Trata-se de uma paisagem imaginária extrapolada a partir das maravilhas e possibilidades da pesquisa biológica e tecnológica emergente. A cidade observa, respirando, piscando os olhos.

  • O Supercomputador

    Pushing Boundaries
    Marshamallow Laser Feast (UK)

    Disposto sobre a cidade física temos um duplo virtual, uma paisagem-fantasma de hiperligações, georreferenciadores, mapas digitais e imagens de satélite. O ar é denso, carregado de bits, bytes, eletrões e campos energéticos. Uma rede de câmaras de monitorização seguem-nos nas nossas deambulações pela cidade, traduzindo os nossos gestos e movimentos e depois projetando-os como formas de luz dinâmicas que se animam à nossa volta. Como maestros extravagantes, os visitantes interagem com uma multiplicidade de projetores de elevada potência que dão vida a este luminoso território de montanhas, nuvens e partículas. Empregando tecnologia áudio direcional, uma paisagem sonora sintética parece quase real, transmitindo a experiência visceral de um mundo que atualmente se encontra escondido em ecrãs, circuitos e hardware. Siga trilhos de som, atente no som de uma superfície que desponta, veja-a brilhar, e afastar-se flutuando, como uma pedra que cai no mar. Trata-se de um novo modelo de interação com tecnologia e o mundo invisível que nos envolve por completo – uma visualização habitável do digital que  brilha incandescente na névoa para depois faiscar até à escuridão.

  • Pronto-a-vestir

    Bart Hess (NL)

    Os nossos corpos são constantemente fotografados, monitorizados e digitalizados com uma precisão milimétrica. Neste contexto de vigilância, reconhecimento facial, avatares e fantasmas digitais, imaginamos um futuro próximo onde a estática, as distorções e as falhas técnicas se tornam uma nova forma de ornamento. Para as tribos de jovens de Futuro Perfeito, o corpo é um local de adaptação, ampliação e experimentação. Celebram a degradação dos dados corporais consolidando no interior das vestes todas as imperfeições de uma digitalização corrompida. Reluzindo na paisagem da exposição encontra-se uma rede de piscinas geométricas refletivas de cera derretida. A superfície espelhada é quebrada quando um corpo, suspenso de um arnês robotizado,  mergulha no líquido. Uma crosta de cera cristaliza sobre as suas curvas e pregas, desenvolvendo formas arquitetónicas, camada por camada, como uma impressora 3D a desenhar diretamente sobre a pele. O corpo emerge lentamente, envolto numa prótese a escorrer. É uma falha técnica física, uma manifestação de dados adulterados em movimento, um artefacto digital. Ficam pendurados em ganchos como uma coleção de animais estranhos e de avatares imobilizados. São quadros corporais, imperfeitos, distorcidos e sempre absolutamente únicos.

  • As Selvas

    And Nowhere a Shadow
    Cohen Van Balen (UK)

    Já não existe natureza. Deambulamos por um novo tipo de território selvagem, onde a linha entre biologia e tecnologia se está a tornar cada vez mais indistinta. Através de modificação genética, carne de laboratório, cirurgia estética e geo-engenharia, estamos a refazer o nosso mundo da escala das células à escala dos continentes. A floresta, selvagem e misteriosa quando vista à distância, surge como um palco onde cada elemento é importante. Penduradas das árvores temos plantas alteradas geneticamente que são mantidas de forma artificial, inseridas no ambiente ecológico circundante, mas que não deixam de ser independentes. Os sistemas de apoio, de aço reluzente e luzes de néon, agitam-se com o vento, à espera. Durante a noite, os lobos chegam-se às estruturas e coçam o corpo nos ramos de aço. A aparelhagem assume o papel de organismo anfitrião num sistema complexo de simbiose artificial. Os movimentos do lobo geram eletricidade para o sistema, ao passo que os frutos dos mirtilos contêm vacina contra a raiva que protege o animal da autodestruição.  O mundo, ornamentado com as grinaldas invisíveis dos ecrãs elétricos, vê imagens da presença do lobo captadas e transmitidas por câmaras, imagens essas apreciadas por todos aqueles cuja paixão pelo espetáculo da vida selvagem lhe garantem a sobrevivência.

  • Os Teares

    Bots of Babel
    Mediated Matter Group, MIT Media Lab (US)

    A história bíblica da Torre de Babel envolvia um plano intencional arquitetado pela humanidade para construir uma plataforma a partir da qual o Homem pudesse combater Deus. A torre representava a primeira tentativa documentada da construção de uma cidade vertical. A resposta divina a este grande plano foi a de cortar a comunicação introduzindo uma língua diferente em cada construtor. Tragicamente, a destruição derradeira do edifício surgiu motivada pela quebra da comunicação entre os seus fabricantes. Nesta parte da cidade, redimimos a Torre de Babel criando a sua antítese. Sobre as nossas cabeças, num dossel de fios, um virtuoso, descentralizado e no entanto altamente comunicativo ambiente de construção de robôs de fabricação suspensos constrói conjuntamente estruturas maiores que eles próprios. Inspirados pelos pólipos de coral multicelulares que constroem recifes, os robôs produzem um esqueleto estrutural complexo, manufaturado por adição, extrudindo material num movimento assíncrono. Entre apitos e movimentos frenéticos para trás e para diante, formas emergem; eles constroem em toda a parte, a toda a hora.

  • Vista Panorâmica

    Chupan Chupai
    Factory Fifteen (UK)

    A partir de uma abertura na neblina perscrutamos a cidade a um nível de pormenor fabuloso. Na vista, panorâmica projeta-se um filme que segue um grupo de crianças que brincam às escondidas em Futuro Perfeito. Gravado em ambientes reais na Índia, através dos olhos das crianças vemos um futuro próximo profundamente influenciado pelo boom iminente do subcontinente indiano, uma superpotência tecnológica e económica emergente. Os sistemas de controlo que gerem agora o tráfego, as redes energéticas e os sistemas financeiros ocultam-se nas sombras, longe da vista, mas sempre a organizar silenciosamente a nossa vida. Nas profundezas de Futuro Perfeito encontrase um supercomputador que controla a cidade e todos os que nela vivem. Quase como algo reminiscente de um filme mudo exagerado, todos interagem com a cidade digital através de sinais complexos e de controlos gestuais. À medida que brincam, as crianças aprendem a aceder às ruas amplificadas, fugindo aos amigos, mas perdendo-se nos espaços ocultos que abriram. Têm de fugir a uma cidade senciente que já não as reconhece.